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segunda-feira, 21 de outubro de 2013


sexta-feira, 4 de outubro de 2013



MARINA SEM GLÓRIA

Marina Silva não conseguiu viabilizar o projeto de ter seu próprio partido para concorrer à presidência da República. Segundo o TSE, não foram cumpridas, a tempo, as exigências necessárias à formação da nova agremiação partidária.

Esse fracasso deixa no ar uma indagação. Marina, que tentou criar um partido apenas para concorrer à presidência, não teve competência para isso? Ela teria competência, então, para administrar um país?

Mas vamos imaginar, só como exercício, que Marina conseguisse construir sua Rede e, com ela, candidatar-se ao cargo máximo. Vamos imaginar, também, que Marina vencesse a eleição. Ela seria nossa próxima presidente.

Na manhã seguinte ao resultado do pleito, Marina teria que procurar os líderes do PMDB, leia-se José Sarney e Renan Calheiros para conseguir governabilidade mínima. Logo após esse encontro, Marina iria reunir-se com Carlos Lupi, do PDT,  Benito Gama, do PTB,  Gilberto  Kassab, do PSD, além de outros menos votados, para  conseguir maioria para seu governo. Se tivesse bom senso, Marina iria pedir auxílio também para as lideranças do PSDB e do DEM.

É assim que as coisas funcionam em nosso país.

Lula, quando eleito, para não desestabilizar o Brasil, teve que fazer os mesmos acordos. Dilma deu continuidade à política de Lula.

Collor recusou-se a governar com o apoio do Congresso, comandado pelos partidos tradicionais. Foi apeado do governo.

Antes,  Jânio havia tentado governar o Brasil contrariando o que ele chamou de “forças  ocultas”. Precisou renunciar, deixando o país imerso em grave crise.

Mal comparando, é como alguém que quer instalar um negócio na Quinta Avenida, em Nova York. Antes de qualquer atitude, ele deve negociar proteção com a Máfia.

Sarney não precisou fazer acordos. Ele é própria Máfia.  





quinta-feira, 3 de outubro de 2013


Meus passeios com o Tenente Riograndino ou como aprendi a gostar de arroz de puta

Eu tinha seis anos e o Tenente Riograndino estava de namoro com minha prima.
O Tenente servia numa unidade da Brigada Militar em Alegrete e minha prima morava em frente, na esquina das ruas David Canabarro com Mariz e Barros.
Olhares daqui, sorrisos dali e o romance começou. Meu tio, abastado fazendeiro, fazia gosto do namoro da filha com o oficial da Brigada Militar.
Minha prima estava encantada com seu Tenente.
Eu frequentava a casa de meu tio e me tornei amigo de Riograndino, que me tratava muito bem, querendo agradar a namorada.
Até me levava para passear.
Esses convites para me levar a passear eram incentivados por minha prima, que queria um espião junto ao garboso Tenente.
Na volta eu era questionado minuciosamente sobre onde tínhamos ido, se tinha havido encontro com mulheres, etc.
O Tenente sabia disso e fez um trato comigo ou, melhor, um pacto. Coisa de homem para homem.
Se eu ficasse de bico calado e só relatasse coisas pitorescas, como bucólicos passeios sobre os trilhos da VFRGS, eu seria recompensado com sorvetes, doces e outras coisa que fazem a cabeça de uma criança.
Eu deveria esquecer todos os encontros que, fatalmente, ocorriam entre Riograndino e suas muitas admiradoras, pois o cara era elegante, bonito e bom partido.
E assim foi.
Saímos da casa de minha prima sempre num domingo pela manhã e íamos em direção aos trilhos do trem, seguindo pela rua David Canabarro.
Caminhávamos sobre a via férrea, um em cada trilho, apoiados um no braço estendido do outro. Aquilo para mim era mágico e já valia pelo passeio todo.
Eu dava asas à imaginação e me via viajando num trem azul para outras cidades, outros países.
Acho que meu desejo de conhecer o mundo, agora realizado, nasceu sobre aqueles trilhos.
Passávamos na frente do antigo 6º Regimento de Cavalaria, hoje um quartel de Engenharia do Exército.
Ao lado do quartel, à esquerda, havia uma infinidade de casinhas de madeira, alquebradas, coloridas.
Algumas eram bares, outras sempre mostravam sorridentes raparigas à janela.
Riograndino, cumprindo um cerimonial quase militar, entrava comigo no bar do Negrinho e pedia uma cerveja para si e uma gasosa para mim.
Devidamente calibrados, íamos à luta.
Entrávamos primeiro na casa da Joaquina, uma velha conhecida do meu amigo.
Eles trocavam beijos calorosos enquanto eu recebia afagos e palavras carinhosas do mulherio.
Depois, íamos até a casinha da Eva, paixão do Tenente, que nos esperava, ansiosa, usando seu melhor vestido, numa atmosfera embriagante do perfume Amor Gaúcho.
Esse perfume perdura até hoje no meu olfato evocativo.
Enquanto os amantes sumiam dentro de um quartinho, separado da sala por uma cortina berrante, eu ficava conversando as outras mulheres, que faziam de tudo para agradar aquele pequeno “freguês” precoce.
Por fim, meu amigo voltava sorridente, de banho tomado e Eva preparava o seu famoso carreteiro de linguiça, o autêntico arroz de puta.
Que perfume inolvidável exalava daquela panela!
Era um arroz molhadinho, delicioso, coberto com ovo picado e tempero verde.
Eu me deliciava e repetia duas, três vezes, debaixo dos aplausos dos comensais.
Até hoje guardo o sabor inigualável daquele arroz. O verdadeiro arroz de puta.
Algo mais ou menos parecido vim a comer em Porto Alegre, muitos anos mais tarde, no inesquecível China Gorda.
Dez anos mais tarde, quando cheguei aos 16 anos, convidei alguns amigos para ir à “zona”, como era de costume na época.
Com grande emoção os conduzi até a casinha da Eva. Eu não esqueci o caminho...
Lá estava ela, já envelhecida, cuidando apenas da contabilidade.
Eva não me reconheceu, naturalmente.
Quando eu falei que era o amigo do Tenente Riograndino, que “frequentei” sua casa quando era criança, ela desmanchou-se em lágrimas.
Lembramos com saudade “dos velhos tempos” e do velho amigo comum.
Meus amigos ficaram impressionados com meu conhecimento do baixo meretrício e eu virei autoridade no assunto.
Onde andará o Tenente Riograndino, que me “iniciou” no assunto e me fez conhecer o arroz de puta?

Só sei que ele não casou com minha prima, que acabou descobrindo tudo e rompeu relações comigo...

Renato Pozzobon